Graças a isso e outros eventos, as críticas e preconceitos face a Portugal aumentam e as agências de rating ganham mais um argumento para descer o grau de confiança de Portugal em mais uns degraus. Tudo face à instabilidade política entre os partidos e a incoerência entre as promessas e acções do Governo, aliadas à falta de seriedade do Primeiro-Ministro.
A verdade é que o país está mal. A aposta do Governo para o equilíbrio das Finanças Públicas está em cortar apoios sociais (como o abono de família, que deixará de ser recebido por grande parte das famílias portuguesas), baixar salários e subida de impostos, destacando-se a subida do IVA. Como já se disse, "falava-se do FMI, mas o Governo substituiu-se a este".
Até seriam boas medidas se esta fosse a única solução viável. Mas não é. Por um lado, várias despesas fúteis aglomeram-se todos os anos e pelas mais variadas razões, muitas das vezes por culpa de membros do largo número de Ministérios e gestores; por outro, alguns dos Ministérios e serviços integrados desrespeitam o limite previsto pelo Orçamento de Estado para "tecto" de gastos.
Mas o mais importante é relembrar que os ministros e alguns deputados possuem várias regalias que não foram colocadas nas mesas da Assembleia da República como possíveis cortes na despesa, sendo uma delas o transporte diário dos mesmos por carros Estaduais. Os ministros são pessoas como as outras. Deviam usar os seus meios privados ou os transportes públicos, que estão ao serviço de todos os cidadãos nacionais. Em vez de se servirem da República para os seus interesses, deviam servi-la deslocando-se por estas duas opções (ao invés, passeiam de BMW)...
Num país em que os seus representantes não consideram abdicar de alguns dos benefícios que possuem na situação presente, qual a fundamentação para impor restrições ao contribuinte? Sem nenhum exemplo proveniente da Assembleia da República, o cidadão comum não tem motivações para dar o seu melhor ou ser transparente nas suas declarações aos órgãos estaduais.
Alguns deputados e ministros deviam repensar as suas funções: a de serem representantes do povo português, tomando decisões por este e em seu nome. Não obstante, parecem preferir serem actores "rascas" numa peça de teatro realista falhada, a transmitir pela comunicação social para ludibriar o espectador inocente.
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